Bandeiras antigas de Portugal
Da cruz azul da tradição à bandeira azul e branca da monarquia constitucional: como a bandeira chegou à de hoje.
Antes da bandeira verde e vermelha de 1910, Portugal usou três modelos. Até D. Sebastião (1578), segundo a iconografia da época, a bandeira reproduzia o escudo; depois veio a branca com as armas reais coroadas e, de 1830 a 1910, a azul e branca. Segundo a história da bandeira de Olímpio de Melo (A Bandeira Nacional, 1924), os desenhos anteriores a D. João I (1385) são reconstituições.
Linha do tempo
As datas dos primeiros séculos são aproximadas e os desenhos, reconstituições.
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1095

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · Domínio público Conde D. Henrique · c. 1095 – c. 1143
Segundo a tradição, uma cruz azul sobre fundo branco. Não há documentos da época que o confirmem: é uma reconstituição posterior.
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1143

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 D. Afonso Henriques · c. 1143 – 1185
Os besantes passam a estar sobre a cruz azul. Também é uma conjetura: para o século XII nem sequer há certeza de como eram as armas.
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1185

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 D. Sancho I · 1185 – 1248
A bandeira reproduz o escudo: campo branco com as quinas azuis carregadas de besantes. As armas estão documentadas; o desenho da bandeira é reconstituição.
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1248

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 D. Afonso III · 1248 – 1383
Entra a bordadura vermelha com castelos dourados, que desde então se manteve nas armas de Portugal. Também é uma reconstituição.
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1385

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 D. João I · 1385 – 1485
O mestre de Avis junta às armas a cruz da Ordem de Avis, cujas pontas ficam à vista sobre a bordadura. Durante a guerra pela coroa de Castela, D. Afonso V usou armas esquarteladas de Portugal e Castela; com a renúncia a esse trono, voltou-se ao modelo anterior.
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1485

Imagem: Nuno Tavares, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 D. João II · 1485 – 1495
A cruz de Avis é retirada e as quinas dos lados passam a estar direitas, como hoje. É esta bandeira armorial que a iconografia da época continua a mostrar até D. Sebastião.
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1495

Imagem: Guilherme Paula, Wikimedia Commons · Domínio público D. Manuel I · 1495 – 1578
Segundo vários autores, as armas, encimadas por uma coroa real aberta, terão passado para um campo branco; a iconografia da época continua a mostrar a bandeira armorial até D. Sebastião.
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1578

Imagem: Tonyjeff, Wikimedia Commons · Domínio público Campo branco com as armas reais · 1578 – 1817
D. Sebastião troca a coroa aberta por uma coroa fechada, e a bandeira parece ter sido a primeira retangular. Entre 1580 e 1640, com os Filipes, Portugal manteve as suas armas e a sua bandeira. Até 1817 muda sobretudo a forma da coroa e do escudo.
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1817

Imagem: Crenelator, Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves · 1817 – 1826
As armas passam a assentar sobre uma esfera armilar, que representava o Reino do Brasil dentro do Reino Unido.
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1826

Imagem: Tonyjeff, Wikimedia Commons · Domínio público Regresso das armas sem esfera · 1826 – 1830
Com a independência do Brasil, a esfera sai das armas; a bandeira volta a ser branca com as armas reais, com o desenho usado de 1707 a 1817.
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1830

Imagem: Tonyjeff, Wikimedia Commons · Domínio público Monarquia constitucional · 1830 – 1910
A regência liberal da ilha Terceira divide o campo em azul e branco, as cores nacionais de 1821. As cores do laço nacional passam, assim, para o campo da bandeira.
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1910
República · Desde 1910
Verde e vermelha, com a esfera armilar e o escudo. Usada desde 1 de dezembro de 1910 e aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte a 19 de junho de 1911.
Três tipos de bandeira em oitocentos anos
As bandeiras de Portugal anteriores a 1910 seguem três modelos. Até D. Sebastião, segundo a iconografia da época, a bandeira reproduzia o próprio escudo, quadrado, em todo o pano. Vários autores, citados por Olímpio de Melo, atribuem a D. Manuel I a passagem das armas coroadas para um campo branco, mas a iconografia da época continua a mostrar a bandeira armorial até D. Sebastião, com quem, em 1578, a bandeira parece ter passado a retangular.
Em 1830 surgiu o terceiro modelo, que se mantém hoje: um campo de cores com significado político e as armas por cima.
As mudanças até ao século XVI acompanham as mudanças do escudo: a bordadura de castelos com D. Afonso III, a cruz de Avis com D. João I e a sua retirada, com as quinas laterais direitas, com D. João II.
As bandeiras numa tabela
A linha do tempo desta página mostra onze bandeiras antes da atual; as anteriores a 1385 são reconstituições.
| Época | Rei ou regime | Desenho | O que a sustenta |
|---|---|---|---|
| c. 1095 – c. 1143 | Conde D. Henrique | Cruz azul sobre branco | Reconstituição |
| c. 1143 – 1185 | D. Afonso Henriques | Besantes sobre a cruz azul | Reconstituição |
| 1185 – 1248 | D. Sancho I | Quinas com besantes sobre branco | Armas documentadas; bandeira reconstituída |
| 1248 – 1383 | D. Afonso III | Bordadura vermelha com castelos | Reconstituição |
| 1385 – 1485 | D. João I | Cruz de Avis sobre a bordadura | Primeira comprovada em obras da época |
| 1485 – 1578 | D. João II a D. Sebastião | Escudo com as quinas direitas, em todo o pano | Iconografia da época |
| 1578 – 1817 | D. Sebastião e sucessores | Armas coroadas sobre branco; provavelmente já retangular | Iconografia da época |
| 1817 – 1826 | Reino Unido com o Brasil | Armas sobre a esfera armilar | Carta de lei de 13 de maio de 1817 |
| 1826 – 1830 | Depois da independência do Brasil | Armas reais sobre branco, sem esfera | Iconografia da época |
| 1830 – 1910 | Monarquia constitucional | Azul e branca, armas reais ao centro | Decreto de 18 de outubro de 1830 |
| Desde 1910 | República | Verde e vermelha, esfera e escudo | Diário do Governo n.º 150 (1911) |
O que se sabe e o que é reconstituição
Os desenhos das primeiras bandeiras são conjeturas. A primeira bandeira cuja existência está comprovada é a de D. João I, de 1385; as anteriores são reconstituições, e para o século XII nem sequer há certeza de como eram as armas. A cruz azul atribuída ao conde D. Henrique e a D. Afonso Henriques ganhou divulgação sobretudo nas comemorações de 1940.
A bandeira azul e branca
O azul e o branco foram aprovados como cores nacionais em 1821, mas só para o laço nacional. Em 1830, a regência liberal da ilha Terceira levou-os para a bandeira, que passou a ser bicolor: azul junto à haste, branco no resto e as armas reais ao centro. Usada primeiro só no território liberal, alargou-se ao país depois da guerra civil, em 1834, e durou até à República.
Da azul e branca à verde e vermelha
Depois do 5 de Outubro de 1910, o Governo Provisório nomeou uma comissão para propor uma bandeira nova. O verde e o vermelho eram as cores dos republicanos nas revoltas de 1891 e 1910. A comissão escolheu-os por isso, como reconhece o seu relatório (ver o significado). A escolha dividiu os próprios republicanos — Guerra Junqueiro, entre outros, defendia manter o azul e branco. A nova bandeira foi hasteada pela primeira vez a 1 de dezembro de 1910, no Monumento aos Restauradores, em Lisboa.
O desenho foi publicado no Diário do Governo n.º 150, de 30 de junho de 1911. O que significa cada elemento está em Significado, e a de hoje está em PNG e SVG.
Perguntas frequentes
Porque deixou a bandeira de ser azul e branca?
A azul e branca era a bandeira da monarquia constitucional. Depois do 5 de Outubro de 1910, a República quis símbolos novos. A comissão escolheu o verde e o vermelho, as cores dos republicanos nas revoltas de 1891 e 1910; houve quem defendesse manter o azul e branco, como Guerra Junqueiro.
Qual foi a primeira bandeira de Portugal?
Não se sabe com certeza. A tradição atribui ao conde D. Henrique e a D. Afonso Henriques uma cruz azul sobre fundo branco, mas não há documentos da época que o confirmem.
Quando se usou a bandeira azul e branca?
De 1830 a 1910: primeiro só no território liberal, e em todo o país desde a vitória liberal de 1834. Foi a bandeira da monarquia constitucional.